Mitos sobre o Cérebro

A edição de abril de 2008 da revista Mente & Cérebro trouxe uma matéria muito interessante sobre a obra de Barry L. Bernstein, psicólogo canadense falecido aos 60 nos em junho de 2007. Escrita por colegas seus, a matéria fala da importância dos estudos de Bernstein para a neuromitologia – o estudo dos mitos que envolvem o cérebro.

Não são poucos os mitos que envolvem o funcionamento do nosso cérebro. Os instrumentos científicos para o seu estudo vêm sendo aperfeiçoados a cada dia, o que possibilita que alguns desses mitos sejam aniquilados. Veja alguns mitos sobre o cérebro e a sua explicação:

  1. Só usamos 10% da capacidade cerebral: Esse mito caiu por terra com o avanço das técnicas de imagem cerebral (ressonâncias magnéticas e tomografias). Cada área do cérebro está associada a uma função vital e nos exames de imagem não foi possível perceber nenhuma área sem atividade, pelo contrário, todas as áreas se mostraram ativas em algum momento.
  2. Algumas pessoas usam o lado direito enquanto outras, usam o lado esquerdo do cérebro: Outro mito que caiu por terra com o estudo de neuroanatomia funcional. Os hemisférios cerebrais têm uma ligação entre si, o corpo caloso, e supor uma “prevalência” de um sobre o outro é uma simplificação grosseira: cada área do cérebro está associada a uma função e trabalha em conjunto com as outras. O que acontece é que algumas pessoas, por causa das suas atividades, acabam utilizando mais as funções de um lado que de outro (por exemplo, artistas tendem a usar mais áreas ligadas a criatividade, enquanto engenheiros desenvolvem mais regiões ligadas ao raciocínio lógico-matemático).
  3. Depois de adultos, nossos neurônios param de nascer. Por muito tempo, acreditou-se que os neurônios estariam todos formados no nascimento e que, depois de adultos, não nasceriam mais neurônios. As pesquisas mais recentes, no entanto, mostram que os axônios (“braços” dos neurônios) se regeneram, e que em algumas partes do cérebro há crescimento de novas células, especialmente após traumas.
  4. É natural perder a memória com a idade. Esse mito se apoiava no mito anterior. Nada mais mentiroso. É possível envelhecer com lucidez e memória tão boas quanto você tem na juventude. Há relação com fatores genéticos, hábitos saudáveis e, talvez o fator mais importante, com a manutenção de atividade mental: estar sempre em atividade (resolver problemas, aprender coisas novas, buscar novas informações) é importante para ficar sempre lúcido.
  5. Depressão não existe. Existe uma teoria da conspiração – envolvendo a indústria farmacêutica, médicos e governos – dizendo que as doenças mentais são inventadas. Por conta desse mito, muita gente sofre à toa. Transtornos mentais são causados por vários fatores (genéticos, sociais, familiares, ambientais) e devem ser vistos como quaisquer outras doenças: gastrite, gripe, câncer. Se você acha que tem depressão, procure ajuda médica ou psicológica. Ninguém precisa sofrer a vida inteira.
  6. Antidepressivos causam dependência química. Apesar do que falam por aí, antidepressivos não causam dependência e podem ser de grande valia no tratamento dos transtornos mentais. Se você tiver dúvidas sobre sua medicação, consulte seu médico (e não sua vizinha).
  7. Esquizofrênicos têm múltiplas personalidades. É muito comum a confusão entre esquizofrenia e Transtorno Dissociativo da Personalidade (comumente chamado de múltiplas personalidades). Na verdade, a esquizofrenia, presente em aproximadamente 1% da população, se caracteriza por presença de delírios e alucinações (ver ou ouvir coisas, ter pensamentos de perseguição etc.). O Transtorno Dissociativo da Personalidade, por sua vez, é muito raro e se caracteriza por uma mudança entre duas personalidades diferentes ao longo do tempo e geralmente tem início após um trauma.

Existem muitos outros mitos sobre o cérebro. Se você gostaria de saber mais ou tem alguma dúvida específica, deixe um comentário que nós vamos tentar respondê-lo.

Comments are closed.