Existe dependência de Internet?

Afinal, Internet vicia? Até que ponto a vida online atrapalha a vida offline? A dependência de internet ainda não foi codificada: o transtorno não consta no CID-10 nem no DSM-IV-TR. No entanto, algumas pesquisas vem apontanto a compulsão por internet como uma nova forma de Transtorno do Controle dos Impulsos.

Transtorno do Controle dos Impulsos? O que é isso?

Os Transtornos do Controle dos Impulsos, também chamados de Dependências Não-Químicas, são caracterizados pela vontade incontrolável de realizar alguma coisa que é prejudicial a si ou aos outros. O Transtorno do Controle dos Impulsos mais conhecido, provavelmente, é o Jogo Patológico, mas aqui também se encaixam a Cleptomania (pessoa que rouba coisas sem precisar ou sem querer), a Piromania (comportamento incendiário), o Transtorno Explosivo Intermitente (episódios explosivos de agressões, sem controle) e a Tricotilomania (arrancar os próprios cabelos). Depois do ato, a pessoa se sente aliviada, podendo ou não existir culpa, arrependimento ou auto-recriminação.

É importante dizer que os comportamentos característicos dos Transtornos do Controle dos Impulsos não acompanham nenhuma outra patologia, como a Dependência de Substâncias ou os Transtornos de Conduta. Saiba mais sobre os Transtornos do Controle dos Impulsos clicando aqui.

O que já se sabe sobre a Dependência de Internet?

É importante dizer, antes de tudo, que ainda não se sabe se a Internet é um veículo para uma compulsão (por exemplo: jogos online, chats) ou uma compulsão em si. Os primeiros conceitos de Dependência de Internet datam de 1991, nos EUA, mas só em 1996 foram definidos os primeiros critérios para classificação do abuso de Internet.
A classificação utilizada atualmente foi definida em 2001. Uma pessoa é considerada “dependente de internet” se apresenta 5 dos 8 critérios abaixo:

  1. Preocupação excessiva com a Internet;
  2. Necessidade de aumentar o tempo conectado (on-line) para ter a mesma satisfação;
  3. Exibe esforços repetidos para diminuir o tempo de uso da Internet;
  4. Irritabilidade e/ou depressão;
  5. Quando o uso da Internet é restringido, apresenta instabilidade emocional (usa a Internet como forma de regulação emocional);
  6. Permanece mais conectado (on-line) do que o programado;
  7. Trabalho e relações sociais ficam em risco pelo uso excessivo;
  8. Mente aos outros a respeito da quantidade de horas conectada.

Como já foi dito, existem casos em que a pessoa é compulsiva pela internet “em si”. Em outros casos, apenas algumas atividades são foco da compulsão (compras online, jogos, salas de bate-papo). Também é importante, na hora do diagnóstico, verificar se o uso da internet se faz por necessidade: pessoas que trabalham online provavelmente permanecerão mais tempo conectadas que aquelas que trabalham offline.

Se você acha que pode ser dependente de internet, faça o teste elaborado pela equipe do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do HC/USP, clicando aqui.

A internet prejudica a minha vida. O que eu posso fazer?

Se você acha que tem problemas com a Internet, procurar psicoterapia é um passo importante. A psicoterapia permite que você perceba se há algum problema e, em caso positivo, faça algumas coisas para mudar sua relação.

A Internet é um meio de comunicação fascinante. É importante aprender a usá-la a seu favor, para aprender, estabelecer relações, se comunicar. Para tirar o melhor proveito, é fundamental manter uma atitude de controle, onde você – e não um determinado site ou aplicativo – determina como será o seu comportamento

Orientação Profissional funciona?

Tem gente que diz que “acredita”, tem gente que diz que “não acredita”. Mas Orientação Profissional vai além disso. A Orientação Profissional não tem nada a ver com o teste vocacional do passado: mais que uma descoberta, é uma construção. O orientando tem papel ativo, afinal é da sua carreira que estamos falando.

A terminologia mudou porque a idéia de vocação não se sustenta nos tempos atuais. Vocação significa “ser chamado a” e ninguém é chamado a nada: a pessoa escolhe ser médico, professor, engenheiro ou vendedor. O foco do processo de Orientação Profissional é ajudar o orientando a construir sua identidade profissional, com apoio de técnicas psicológicas validadas cientificamente.

Que técnicas são essas? Os instrumentos utilizados vão de testes psicológicos a dinâmicas de grupo, passando por muito diálogo, informação sobre carreira e levantamento de fatores que influenciam na escolha. Muitas vezes, o orientando está envolvido em outras questões que acabam atrapalhando a escolha, nesses casos é papel do Orientador Profissional reconhecer essas questões e, se necessário, encaminhá-lo para a intervenção adequada.

E não são só adolescentes em fase de vestibular que podem passar por um processo de Orientação Profissional. Há experiências bem sucedidas com recém-formados, pessoas insatisfeitas com sua carreira e até mesmo profissionais perto da aposentadoria.

Se você se interessou pela Orientação Profissional e acha que ela pode te ajudar, cuidado: há muito charlatanismo no mercado. Procure um profissional qualificado, com registro profissional e currículo na área. Algumas universidades oferecem esse processo nos seus serviços de Psicologia.

Psicologia, Psiquiatria, Psicanálise: Qual a diferença?

Talvez essa seja uma das dúvidas mais freqüentes quando se fala nas Psis. Psicólogo e Psiquiatra são a mesma coisa? Para ser psicólogo e psicanalista precisa fazer faculdade? Quem receita remédio? O que cada um faz?

A Psiquiatria é uma especialidade médica. Psiquiatras são médicos que, depois de formados, se especializam em Transtornos Mentais. O tratamento, na Psiquiatria, pode fazer uso de psicoterapia e remédios (como são médicos, psiquiatras podem receitar medicamentos).

A Psicologia, por sua vez, nasceu de várias correntes filosóficas e científicas que buscavam compreender os fenômenos psicológicos. A formação se dá na faculdade de Psicologia e o psicólogo pode trabalhar em várias áreas. Na clínica, o Psicólogo é habilitado para trabalhar com psicoterapia e psicodiagnóstico. O psicodiagnóstico, diferente do diagnóstico médico, pode ser feito com entrevistas e aplicação de testes. Os testes, inclusive, são ferramentas exclusivas do Psicólogo (psiquiatras não podem aplicá-los). Mas a clínica não é o único campo de trabalho do Psicólogo. Psicólogos podem trabalhar em empresas – nas áreas de RH e desenvolvimento de produto, em escolas – intervindo no processo de ensino-aprendizagem, na saúde pública – na gestão de serviços de saúde mental ou geral e também nas áreas jurídica, esportiva, hospitalar e várias outras. Com o tempo nós vamos abordar com mais cuidado as áreas de atuação do psicólogo nesse espaço.

E o Psicanalista? A Psicanálise surgiu a partir de observações feitas por Freud durante o tratamento de sintomas histéricos. A obra de Freud acabou se tornando uma referência importante no estudo não só das psicopatologias, mas do desenvolvimento dos indivíduos e da sociedade. A Psicanálise não é regulamentada (não existe “faculdade de Psicanálise”), e a formação nos institutos sérios leva, em média, oito anos. A formação em Psicanálise inclui leituras, seminários e a análise pessoal. Médicos e psicólogos podem ser psicanalistas, mas não necessariamente um psicanalista é médico ou psicólogo (e isso será abordado aqui nesse blog, no futuro).

Resumindo a coisa toda: Psiquiatra é médico, pode fazer psicodiagnóstico (sem testes), psicoterapia e receitar medicamentos; Psicólogo pode usar testes psicológicos para fazer o psicodiagnóstico, fazer psicoterapia e trabalhar em outras áreas além da clínica e Psicanalista é quem pratica a Psicanálise. Apesar das diferenças, nada impede que essas profissões trabalhem juntas em prol de um objetivo comum.