Princípios do SUS

A Constituição de 1988 estabeleceu as bases do que viria a se tornar o Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, o SUS é fruto de um movimento que começou muito antes, com a 7ª. Conferência Nacional de Saúde em 1980, e ainda está acontecendo, com as discussões sobre financiamento e responsabilidade.

O SUS se apóia em três princípios: universalidade, integralidade e eqüidade. De uma forma bem simplista, isso quer dizer que a saúde é um direito de todos – universalidade, é um aspecto que integra todas as áreas da vida humana – integralidade – e cada um deve ser atendido de acordo com as suas necessidades – eqüidade. Esses três princípios (chamados de “doutrinários”) se refletem na organização do SUS. Além da atenção à saúde nas Unidades de Saúde e Hospitais, sua cara mais conhecida, ele também é responsável pela Vigilância Sanitária, pela Vigilância Epidemiológica, pelas vacinas e pela maior parte dos procedimentos de alta complexidade que envolvem a saúde (transplantes, tratamento de DST/AIDS e saúde mental, para citar alguns).

A Lei Orgânica da Saúde (lei nº. 8080/90) organizou e regulamentou o sistema. Além dela, várias outras leis foram criadas para tratar de assuntos relativos ao financiamento e às responsabilidades da União, dos Estados e dos Municípios. Essa hierarquização é um dos princípios que organizam o SUS, que também deve contar com a participação popular nas decisões e tem sua administração descentralizada.

Apesar das críticas, o SUS é a primeira tentativa brasileira de democratizar o acesso à saúde. Considerar a Saúde como um direito de todo cidadão é novidade em nosso país. Sabemos que são muitas as dificuldades que o SUS encontra na prática (falta de vagas, descredenciamento de hospitais, profissionais mal-pagos e desvalorizados), mas não podemos esquecer dos avanços e progressos que o Sistema trouxe para o nosso país. O tratamento de pacientes com HIV/AIDS brasileiro é referência e vários estrangeiros vêm para cá em busca de tratamento. O maior programa público de transplantes de órgãos e tecidos do mundo é do SUS. No Brasil não há registro de poliomielite desde 1990 e várias outras doenças já foram erradicadas com vacinação. A mortalidade infantil diminui desde sua implantação. Podemos considerar que temos um sistema confiável de vigilância sanitária e de vigilância epidemiológica.

Há muito que se falar sobre o SUS. Podemos reafirmar o mais importante: o SUS foi o primeiro sistema de saúde da América Latina e é uma conquista de todos os cidadãos brasileiros. Isso faz com que seja cada vez mais importante conhecer o sistema, saber quais são as instâncias de participação e lutar para que a saúde pública esteja cada vez mais presente na realidade de todos os cidadãos.

10 perguntas sobre testes psicológicos

Os Testes Psicológicos são os instrumentos dos psicólogos mais conhecidos pela população em geral: seja na hora de tirar a carteira de habilitação ou em uma seleção de emprego, os testes psicológicos são utilizados. Por isso, vira e mexe a gente ouve falar do “teste do desenho” e dos “testes de inteligência”. Isso sem falar no famoso “teste vocacional”.

Mas tem muita gente que não entende como os testes funcionam. Para tirar algumas dúvidas e tranquilizar quem precisa passar por um psicotécnico, aí vão 10 perguntas (e suas respostas) sobre os testes psicológicos.

  1. Quem pode aplicar os Testes Psicológicos? É muito importante dizer que somente psicólogos podem utilizar os testes: testes psicológicos não podem ser aplicados por psiquiatras, pedagogos, assistentes sociais ou outros profissionais. Isso se deve à especificidade da sua construção e da necessidade de interpretação correta dos seus resultados. Testes psicológicos não são como testes de revistas femininas: seus resultados devem ser interpretados dentro de um contexto específico e, para isso, é necessário muito estudo e treinamento.
  2. Quantos tipos de teste psicológico existem? Basicamente, os testes psicológicos se dividem em dois tipos: psicométricos e projetivos.
  3. O que são testes psicométricos? Testes psicométricos são aqueles que fazem uso da medida matemática para avaliar o sujeito. Os resultados originam um cálculo e o resultado do calculo para cada sujeito é comparado com uma tabela do resultado para a população em geral. Como exemplos de testes psicométricos, temos o IFP (Inventário Fatorial da Personalidade), que avalia a personalidade do sujeito, e o QSG (Questionário de Saúde Geral), que avalia a saúde da pessoa no momento do teste.
  4. O que são testes projetivos? São aqueles testes que fazem uso da projeção, ou seja, são testes que permitem que a pessoa manifeste algum aspecto da sua história ou da sua personalidade, mesmo que não perceba isso. Por exemplo, temos o HTP (Teste da Casa-Árvore-Pessoa), que avalia a personalidade através de desenhos, e o TAT (Teste de Apercepção Temática), que usa as histórias que o indivíduo conta para avaliar a sua personalidade e o seu estado mental. O Rorschach, o famoso teste das manchas, também é um teste projetivo.
  5. Como são construídos os testes? Testes psicológicos partem de “construtos”, ou seja, o que vai ser avaliado. Um teste que mede “inteligência”, para dar um exemplo, parte de uma definição clara do que é inteligência (p.ex.: “inteligencia é a capacidade de reagir aos estímulos do ambiente de forma a melhor adaptar-se” – uma definição que pode ser mudada de acordo com o autor do teste) . A partir daí, é construído um instrumento que permite que o psicólogo avalie a inteligência – de acordo com a definição dada pelo teste. Os testes psicológicos são então aplicados a vários grupos de pessoas para definir qual parte da população pode ser avaliada a partir deles e como os resultados devem ser interpretados. O Conselho Federal de Psicologia então avalia as pesquisas e define se os testes podem ou não ser utilizados pelos psicólogos.
  6. Quem vende os testes psicológicos? Existem editoras responsáveis por vender e publicar os testes. É importante repetir: somente psicólogos podem comprar e usar testes psicológicos. Portanto, a venda só se dá perante a apresentação da identidade profissional.
  7. Como fazer para passar no teste psicológico? Como são usados em recrutamento e seleção, há muitas pessoas que querem saber “como passar no teste psicológico”. Para eles, uma notícia boa e ao mesmo tempo ruim: não existe “passar” no teste psicológico. O teste psicológico dá um retrato da pessoa no momento da aplicação. Durante uma seleção de candidatos, os testes são utilizados para verificar se a pessoa tem um perfil compatível com o da vaga a ser preenchida.
  8. É verdade que eu preciso desenhar uma árvore com raiz? Repetindo: não existe fórmula para “passar” no teste psicológico. Tudo o que se diz no senso comum a respeito dos testes não tem fundamento científico. E nenhum psicólogo vai te falar como fazer para passar, sob pena de perder o registro no Conselho.
  9. Todo psicólogo usa teste psicológico? Não. O teste é um instrumento, mas o psicólogo não é obrigado a utilizá-lo. Há psicólogos que preferem basear seu diagnóstico em entrevistas, o que é perfeitamente aceitável.
  10. Eu não passei no teste, e agora? Em um processo de recrutamento e seleção, você tem direito a uma devolutiva do psicólogo. Ele não vai fazer terapia com você, mas pode dar um indicativo dos motivos que levaram você a não passar na seleção. Se você achar necessário, procure ajuda de um psicólogo para trabalhar as questões que impediram a sua aprovação.

Se você quer saber quais são os testes psicológicos autorizados para uso no Brasil, consulte o Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos do CFP.

Mitos sobre o Cérebro

A edição de abril de 2008 da revista Mente & Cérebro trouxe uma matéria muito interessante sobre a obra de Barry L. Bernstein, psicólogo canadense falecido aos 60 nos em junho de 2007. Escrita por colegas seus, a matéria fala da importância dos estudos de Bernstein para a neuromitologia – o estudo dos mitos que envolvem o cérebro.

Não são poucos os mitos que envolvem o funcionamento do nosso cérebro. Os instrumentos científicos para o seu estudo vêm sendo aperfeiçoados a cada dia, o que possibilita que alguns desses mitos sejam aniquilados. Veja alguns mitos sobre o cérebro e a sua explicação:

  1. Só usamos 10% da capacidade cerebral: Esse mito caiu por terra com o avanço das técnicas de imagem cerebral (ressonâncias magnéticas e tomografias). Cada área do cérebro está associada a uma função vital e nos exames de imagem não foi possível perceber nenhuma área sem atividade, pelo contrário, todas as áreas se mostraram ativas em algum momento.
  2. Algumas pessoas usam o lado direito enquanto outras, usam o lado esquerdo do cérebro: Outro mito que caiu por terra com o estudo de neuroanatomia funcional. Os hemisférios cerebrais têm uma ligação entre si, o corpo caloso, e supor uma “prevalência” de um sobre o outro é uma simplificação grosseira: cada área do cérebro está associada a uma função e trabalha em conjunto com as outras. O que acontece é que algumas pessoas, por causa das suas atividades, acabam utilizando mais as funções de um lado que de outro (por exemplo, artistas tendem a usar mais áreas ligadas a criatividade, enquanto engenheiros desenvolvem mais regiões ligadas ao raciocínio lógico-matemático).
  3. Depois de adultos, nossos neurônios param de nascer. Por muito tempo, acreditou-se que os neurônios estariam todos formados no nascimento e que, depois de adultos, não nasceriam mais neurônios. As pesquisas mais recentes, no entanto, mostram que os axônios (“braços” dos neurônios) se regeneram, e que em algumas partes do cérebro há crescimento de novas células, especialmente após traumas.
  4. É natural perder a memória com a idade. Esse mito se apoiava no mito anterior. Nada mais mentiroso. É possível envelhecer com lucidez e memória tão boas quanto você tem na juventude. Há relação com fatores genéticos, hábitos saudáveis e, talvez o fator mais importante, com a manutenção de atividade mental: estar sempre em atividade (resolver problemas, aprender coisas novas, buscar novas informações) é importante para ficar sempre lúcido.
  5. Depressão não existe. Existe uma teoria da conspiração – envolvendo a indústria farmacêutica, médicos e governos – dizendo que as doenças mentais são inventadas. Por conta desse mito, muita gente sofre à toa. Transtornos mentais são causados por vários fatores (genéticos, sociais, familiares, ambientais) e devem ser vistos como quaisquer outras doenças: gastrite, gripe, câncer. Se você acha que tem depressão, procure ajuda médica ou psicológica. Ninguém precisa sofrer a vida inteira.
  6. Antidepressivos causam dependência química. Apesar do que falam por aí, antidepressivos não causam dependência e podem ser de grande valia no tratamento dos transtornos mentais. Se você tiver dúvidas sobre sua medicação, consulte seu médico (e não sua vizinha).
  7. Esquizofrênicos têm múltiplas personalidades. É muito comum a confusão entre esquizofrenia e Transtorno Dissociativo da Personalidade (comumente chamado de múltiplas personalidades). Na verdade, a esquizofrenia, presente em aproximadamente 1% da população, se caracteriza por presença de delírios e alucinações (ver ou ouvir coisas, ter pensamentos de perseguição etc.). O Transtorno Dissociativo da Personalidade, por sua vez, é muito raro e se caracteriza por uma mudança entre duas personalidades diferentes ao longo do tempo e geralmente tem início após um trauma.

Existem muitos outros mitos sobre o cérebro. Se você gostaria de saber mais ou tem alguma dúvida específica, deixe um comentário que nós vamos tentar respondê-lo.