Posted on January 27th, 2009 in Saúde Pública with Comments Off
A Constituição de 1988 estabeleceu as bases do que viria a se tornar o Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, o SUS é fruto de um movimento que começou muito antes, com a 7ª. Conferência Nacional de Saúde em 1980, e ainda está acontecendo, com as discussões sobre financiamento e responsabilidade.
O SUS se apóia em três princípios: universalidade, integralidade e eqüidade. De uma forma bem simplista, isso quer dizer que a saúde é um direito de todos – universalidade, é um aspecto que integra todas as áreas da vida humana – integralidade – e cada um deve ser atendido de acordo com as suas necessidades – eqüidade. Esses três princípios (chamados de “doutrinários”) se refletem na organização do SUS. Além da atenção à saúde nas Unidades de Saúde e Hospitais, sua cara mais conhecida, ele também é responsável pela Vigilância Sanitária, pela Vigilância Epidemiológica, pelas vacinas e pela maior parte dos procedimentos de alta complexidade que envolvem a saúde (transplantes, tratamento de DST/AIDS e saúde mental, para citar alguns).
A Lei Orgânica da Saúde (lei nº. 8080/90) organizou e regulamentou o sistema. Além dela, várias outras leis foram criadas para tratar de assuntos relativos ao financiamento e às responsabilidades da União, dos Estados e dos Municípios. Essa hierarquização é um dos princípios que organizam o SUS, que também deve contar com a participação popular nas decisões e tem sua administração descentralizada.
Apesar das críticas, o SUS é a primeira tentativa brasileira de democratizar o acesso à saúde. Considerar a Saúde como um direito de todo cidadão é novidade em nosso país. Sabemos que são muitas as dificuldades que o SUS encontra na prática (falta de vagas, descredenciamento de hospitais, profissionais mal-pagos e desvalorizados), mas não podemos esquecer dos avanços e progressos que o Sistema trouxe para o nosso país. O tratamento de pacientes com HIV/AIDS brasileiro é referência e vários estrangeiros vêm para cá em busca de tratamento. O maior programa público de transplantes de órgãos e tecidos do mundo é do SUS. No Brasil não há registro de poliomielite desde 1990 e várias outras doenças já foram erradicadas com vacinação. A mortalidade infantil diminui desde sua implantação. Podemos considerar que temos um sistema confiável de vigilância sanitária e de vigilância epidemiológica.
Há muito que se falar sobre o SUS. Podemos reafirmar o mais importante: o SUS foi o primeiro sistema de saúde da América Latina e é uma conquista de todos os cidadãos brasileiros. Isso faz com que seja cada vez mais importante conhecer o sistema, saber quais são as instâncias de participação e lutar para que a saúde pública esteja cada vez mais presente na realidade de todos os cidadãos.
Posted on January 27th, 2009 in Ciência e profissão with Comments Off
Os Testes Psicológicos são os instrumentos dos psicólogos mais conhecidos pela população em geral: seja na hora de tirar a carteira de habilitação ou em uma seleção de emprego, os testes psicológicos são utilizados. Por isso, vira e mexe a gente ouve falar do “teste do desenho” e dos “testes de inteligência”. Isso sem falar no famoso “teste vocacional”.
Mas tem muita gente que não entende como os testes funcionam. Para tirar algumas dúvidas e tranquilizar quem precisa passar por um psicotécnico, aí vão 10 perguntas (e suas respostas) sobre os testes psicológicos.
- Quem pode aplicar os Testes Psicológicos? É muito importante dizer que somente psicólogos podem utilizar os testes: testes psicológicos não podem ser aplicados por psiquiatras, pedagogos, assistentes sociais ou outros profissionais. Isso se deve à especificidade da sua construção e da necessidade de interpretação correta dos seus resultados. Testes psicológicos não são como testes de revistas femininas: seus resultados devem ser interpretados dentro de um contexto específico e, para isso, é necessário muito estudo e treinamento.
- Quantos tipos de teste psicológico existem? Basicamente, os testes psicológicos se dividem em dois tipos: psicométricos e projetivos.
- O que são testes psicométricos? Testes psicométricos são aqueles que fazem uso da medida matemática para avaliar o sujeito. Os resultados originam um cálculo e o resultado do calculo para cada sujeito é comparado com uma tabela do resultado para a população em geral. Como exemplos de testes psicométricos, temos o IFP (Inventário Fatorial da Personalidade), que avalia a personalidade do sujeito, e o QSG (Questionário de Saúde Geral), que avalia a saúde da pessoa no momento do teste.
- O que são testes projetivos? São aqueles testes que fazem uso da projeção, ou seja, são testes que permitem que a pessoa manifeste algum aspecto da sua história ou da sua personalidade, mesmo que não perceba isso. Por exemplo, temos o HTP (Teste da Casa-Árvore-Pessoa), que avalia a personalidade através de desenhos, e o TAT (Teste de Apercepção Temática), que usa as histórias que o indivíduo conta para avaliar a sua personalidade e o seu estado mental. O Rorschach, o famoso teste das manchas, também é um teste projetivo.
- Como são construídos os testes? Testes psicológicos partem de “construtos”, ou seja, o que vai ser avaliado. Um teste que mede “inteligência”, para dar um exemplo, parte de uma definição clara do que é inteligência (p.ex.: “inteligencia é a capacidade de reagir aos estímulos do ambiente de forma a melhor adaptar-se” – uma definição que pode ser mudada de acordo com o autor do teste) . A partir daí, é construído um instrumento que permite que o psicólogo avalie a inteligência – de acordo com a definição dada pelo teste. Os testes psicológicos são então aplicados a vários grupos de pessoas para definir qual parte da população pode ser avaliada a partir deles e como os resultados devem ser interpretados. O Conselho Federal de Psicologia então avalia as pesquisas e define se os testes podem ou não ser utilizados pelos psicólogos.
- Quem vende os testes psicológicos? Existem editoras responsáveis por vender e publicar os testes. É importante repetir: somente psicólogos podem comprar e usar testes psicológicos. Portanto, a venda só se dá perante a apresentação da identidade profissional.
- Como fazer para passar no teste psicológico? Como são usados em recrutamento e seleção, há muitas pessoas que querem saber “como passar no teste psicológico”. Para eles, uma notícia boa e ao mesmo tempo ruim: não existe “passar” no teste psicológico. O teste psicológico dá um retrato da pessoa no momento da aplicação. Durante uma seleção de candidatos, os testes são utilizados para verificar se a pessoa tem um perfil compatível com o da vaga a ser preenchida.
- É verdade que eu preciso desenhar uma árvore com raiz? Repetindo: não existe fórmula para “passar” no teste psicológico. Tudo o que se diz no senso comum a respeito dos testes não tem fundamento científico. E nenhum psicólogo vai te falar como fazer para passar, sob pena de perder o registro no Conselho.
- Todo psicólogo usa teste psicológico? Não. O teste é um instrumento, mas o psicólogo não é obrigado a utilizá-lo. Há psicólogos que preferem basear seu diagnóstico em entrevistas, o que é perfeitamente aceitável.
- Eu não passei no teste, e agora? Em um processo de recrutamento e seleção, você tem direito a uma devolutiva do psicólogo. Ele não vai fazer terapia com você, mas pode dar um indicativo dos motivos que levaram você a não passar na seleção. Se você achar necessário, procure ajuda de um psicólogo para trabalhar as questões que impediram a sua aprovação.
Se você quer saber quais são os testes psicológicos autorizados para uso no Brasil, consulte o Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos do CFP.
Posted on January 26th, 2009 in Curiosidades with Comments Off
A edição de abril de 2008 da revista Mente & Cérebro trouxe uma matéria muito interessante sobre a obra de Barry L. Bernstein, psicólogo canadense falecido aos 60 nos em junho de 2007. Escrita por colegas seus, a matéria fala da importância dos estudos de Bernstein para a neuromitologia – o estudo dos mitos que envolvem o cérebro.
Não são poucos os mitos que envolvem o funcionamento do nosso cérebro. Os instrumentos científicos para o seu estudo vêm sendo aperfeiçoados a cada dia, o que possibilita que alguns desses mitos sejam aniquilados. Veja alguns mitos sobre o cérebro e a sua explicação:
- Só usamos 10% da capacidade cerebral: Esse mito caiu por terra com o avanço das técnicas de imagem cerebral (ressonâncias magnéticas e tomografias). Cada área do cérebro está associada a uma função vital e nos exames de imagem não foi possível perceber nenhuma área sem atividade, pelo contrário, todas as áreas se mostraram ativas em algum momento.
- Algumas pessoas usam o lado direito enquanto outras, usam o lado esquerdo do cérebro: Outro mito que caiu por terra com o estudo de neuroanatomia funcional. Os hemisférios cerebrais têm uma ligação entre si, o corpo caloso, e supor uma “prevalência” de um sobre o outro é uma simplificação grosseira: cada área do cérebro está associada a uma função e trabalha em conjunto com as outras. O que acontece é que algumas pessoas, por causa das suas atividades, acabam utilizando mais as funções de um lado que de outro (por exemplo, artistas tendem a usar mais áreas ligadas a criatividade, enquanto engenheiros desenvolvem mais regiões ligadas ao raciocínio lógico-matemático).
- Depois de adultos, nossos neurônios param de nascer. Por muito tempo, acreditou-se que os neurônios estariam todos formados no nascimento e que, depois de adultos, não nasceriam mais neurônios. As pesquisas mais recentes, no entanto, mostram que os axônios (“braços” dos neurônios) se regeneram, e que em algumas partes do cérebro há crescimento de novas células, especialmente após traumas.
- É natural perder a memória com a idade. Esse mito se apoiava no mito anterior. Nada mais mentiroso. É possível envelhecer com lucidez e memória tão boas quanto você tem na juventude. Há relação com fatores genéticos, hábitos saudáveis e, talvez o fator mais importante, com a manutenção de atividade mental: estar sempre em atividade (resolver problemas, aprender coisas novas, buscar novas informações) é importante para ficar sempre lúcido.
- Depressão não existe. Existe uma teoria da conspiração – envolvendo a indústria farmacêutica, médicos e governos – dizendo que as doenças mentais são inventadas. Por conta desse mito, muita gente sofre à toa. Transtornos mentais são causados por vários fatores (genéticos, sociais, familiares, ambientais) e devem ser vistos como quaisquer outras doenças: gastrite, gripe, câncer. Se você acha que tem depressão, procure ajuda médica ou psicológica. Ninguém precisa sofrer a vida inteira.
- Antidepressivos causam dependência química. Apesar do que falam por aí, antidepressivos não causam dependência e podem ser de grande valia no tratamento dos transtornos mentais. Se você tiver dúvidas sobre sua medicação, consulte seu médico (e não sua vizinha).
- Esquizofrênicos têm múltiplas personalidades. É muito comum a confusão entre esquizofrenia e Transtorno Dissociativo da Personalidade (comumente chamado de múltiplas personalidades). Na verdade, a esquizofrenia, presente em aproximadamente 1% da população, se caracteriza por presença de delírios e alucinações (ver ou ouvir coisas, ter pensamentos de perseguição etc.). O Transtorno Dissociativo da Personalidade, por sua vez, é muito raro e se caracteriza por uma mudança entre duas personalidades diferentes ao longo do tempo e geralmente tem início após um trauma.
Existem muitos outros mitos sobre o cérebro. Se você gostaria de saber mais ou tem alguma dúvida específica, deixe um comentário que nós vamos tentar respondê-lo.